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Recapitulação do semestre - Fevereiro

Thursday, February 28th, 2008

Fevereiro

Fiz meu estágio de primeiro ano, o Stage Ouvrier. O que eu vou botar no curriculum? “Gestão de banco de dados”, “logística”, palavras bonitas para esconder minha real tarefa: colar etiquetas em móveis e “ticar” os que etiquetei numa lista ENORME e toda bagunçada. Sério, devia ter mais de 2000 móveis.

Quand même, foi interessante. Trabalhei na TRANSPOLE, empresa de transporte público da metrópole. Mais especificamente em um dos quatro depósitos de ônibus, o Dépôt de l’Union. É um depósito velho, muito velho, com telhados caindo (sim, de verdade).

Como estava fora das normas para poder receber ônibus movidos a gás natural (nova moda aqui em Lille: gás natural feito a partir de lixo urbano para mover ônibus… fantástico, não?), eles estavam para terminar (há alguns meses já… estavam adiando a mudança pois sempre havia algum atraso) a construção de um novo depósito, lindo. Acontece que por problemas jurídicos, precisava fazer uma ficha para cada móvel, seja destinado ao novo depósito, a reforma ou ao lixo. E quem melhor do que um estagiário para preencher MILHARES de fichas?

O que era legal é que eu pude conversar com TODOS os trabalhadores: desde o chefão até o aprendiz de mecânico. E essa conversa era algo impossível de acontecer se eu trabalhasse na empresa. Foi uma oportunidade única.

Era muito legal também o fato de eu ser estrangeiro. Todos ficavam super curiosos de saber como era o Brasil, perguntavam coisas. Perguntavam do Rio, do Carnaval, das praias, das brasileiras, vários dos motoristas de ônibus perguntavam o salário de um motorista em SP (e ficavam abismados de ver como eles ganhavam bem por aqui…).

A secretária do depósito, a Delphine, que era com quem eu trabalhava, era super legal. Ela me levava uns pratos franceses para eu comer (às vezes um queijo, às vezes um prato típico da região). Ela sempre ia me ajudando a melhorar meu francês, sempre me respondendo com paciência (precisa de muita, viu?) tudo que eu perguntava sobre a língua (ela falava super bem o francês). No final, ela me deu de presente um SUPER DICIONARIO, o Larousse Illustré 2008 Grand Format. Adorei.

O chefe do depósito, ex-aluno da ECLille, era legal também. Me levou um dia para conhecer o PCMétro, poste de contrôle du métro, ou central de controle do metro. É que o metrô aqui é automático, isto é: ele pode funcionar sem que tenha NINGUEM supervisionando. Inclusive, tem umas máscaras de oxigênio na central de controle para que, em caso de incêndio, eles possam alertar às pessoas que eles desligarão o metro, pois senão, mesmo que exploda todos os computadores que tem por lá, o metro continua funcionando normalmente. É incrível. E isso existe a décadas! Ele me explicou em detalhes o funcionamento do sistema, já que foi um dos chefes daquele departamento (e, em tal posição, precisa-se conhecer perfeitamente o sistema).

Poderia passar mais horas contando bobagens do estágio. Mas como isto é um resumo do semestre, serei breve. Quem quiser mais, venha conversar comigo!