Archive for July, 2007

Uma semana cheia de coisas

Sunday, July 29th, 2007

Olá!

Esta semana, como alguns notaram, estive meio sumido. Fiz muita coisa por aqui.

No sábado à noite, estávamos conversando em frente ao Cavilam quando senta-se em um banco, ao nosso lado, um bêbado. Mas não era só um bêbado, era um bêbado francês. O cara era muito engraçado, veio até nos contar aquelas típicas piadinhas de bêbado, só que em francês! Demais de engraçado.

No domingo, assisti ao filme “Le diner de con”, ou: o jantar do babaca, uma comédia francesa. Eu normalmente não gosto de comédias, mas devo ter acordado o pessoal aqui de casa com gargalhadas. É demais! Recomendo! Mas tem que ser assistido em francês, se não as piadas vão perder o efeito. Trata-se de um jantar entre amigos, para o qual cada um deve levar consigo um “babaca”, e ganha aquele que tiver trazeido o babaca mais babaca. O filme mostra a relação de Pierre Brochard com Monsieur Pignon, seu babaca de classe mundial. É interessante a mensagem que pode-se entender ao final do filme.

Segunda-feira comprei um dicionário de francês. Finalmente! Chama-se “Le Micro Robert”. Só que essa edição, “le micro”, já é gigantesca. Ainda tem o “Le Petit Robert”, “Le Robert” e “Le grand Robert”. Este último é composto de 5 volumes, cada um do tamanho de um Houaiss ou de um Aurélio!

Na terça-feira ia passar um filme no Cavilam que me falaram muito bem, “L’Auberge Espagnole”, mas tinha também um show de Jazz ao vivo em Cusset (cidade vizinha). O filme eu poderia ver depois, logo fui para Cusset. Foi muito legal. Era ao ar livre, choveu um pouquinho, o show foi interrompido por 10 minutos, mas depois continou. A banda, francesa, tinha convidado um baterista para acompanhá-los, Marlon Simon Marlon, venezuelano. Além dele, tinha um saxofonista, um trompetista, um pianista, um contra-baixista e um percussionista. Muito interessante o que eles fizeram, era uma mistura de Jazz e Rumba, o que dava um ar bem mexicano, do que gostou muito minha “irmã”, Daniela, que foi comigo. Gostei bastante, mas faltou aquele toquezinho brasileiro no rítmo, que só o Rubinho Barsotti sabe dar.

À tarde, assisti “La Folie des Grandeurs”, outra comédia, desta vez com Louis de Funès. Muito engraçada também. Recomendo! Mas novamente, precisa ser assistida em francês. As piadas algumas vezes envolvem semelhanças fonéticas entre palvras, as quais seriam completamente perdidas numa dublagem.

Na quarta fui a um show em frente a l’Opera de Vichy, ao ar livre também, desta vez um baixista e uma cantora. Eles faziam algo realmente estranho. Ainda bem que fiquei no parque e não gastei 16 euros pra ficar sentado 20m mais à frente em relação a onde estava. Era interessante mas precisava acostumar o ouvido pra gostar. Fiquei só meia hora e voltei pra casa.

À tarde, eu assisti The Fountain, que já tinha assistido em Búzios. Fez um pouco mais de sentido o filme. Mas ainda é bizarro. O Aronofsky me parece meio louco (veja The Fountain e Mulholland Drive, depois tire sua própria conclusão).

Na quinta-feira, assisti à tarde o “L’Auberge Espagnole”. ADOREI. É um filme que mostra um jovem francês que estudava economia em Paris, estava no último ano e resolveu participar de um programa chamado Erasmus, um programa de intercâmbio onde os europeus vão para outro país fazer 1 ou 2 anos de sua universidade. Não por acaso o Cavilam passa esse filme todo ano, e também não por acaso todos nós nos sentimos bem identificados com o protagonista e gostamos demais do filme. O filme mostra o ano que ele ficou na Espanha, em Barcelona, habitando uma república com outros 6 ou 7 estudantes de diversas nacionalidades diferentes.

Tive que assistir o filme à tarde pois à noite o Cavilam ia passar “Les poupées russes”, que era a continuação do filme. Este novo filme mostra a vida do nosso protagonista alguns anos após ter se formado. É interessante como continuaram fortes os vínculos com seus companheiros do Erasmus.

Sexta-feira teve festinha aqui em casa com direito a bolo e champagne! Era o último jantar da Daniela, minha irmã mexicana, que ia partir no sábado para a Itália para terminar suas férias e que fazia aniversário de 18 anos no domingo (hoje).

Sábado à tarde assisti ao filme Harry Potter na casa da Carol, com a Virgínia, a Gabi (radine) e o Lucas. Não entendi quase nada, já que só tinha assistido o primeiro e não li nenhum dos livros. Em francês, diz-se “arrí potér”. Eles traduzem tudo. Minha professora uma vez falou de Marilyn Monroe só que com a pronúncia francesa. Levamos uns 10 segundos até entendermos de quem se tratava…

Fomos o Ahmed e eu à Gare umas 19h30 acompanhar a Daniela e ficar com ela até que seu trem partisse, às 20h04 (conselho pra quem vier pra França: se estiver escrito no bilhete 20h04, não chegue às 20h05, você terá perdido o trem). Voltamos para casa e jantamos.

Depois de jantado (e bem jantado… adoro mouton com batatas assadas!), fomos aos Cavilam, onde o Fanti (amigo meu da Poli, que faz também o curso de Mecatrônica) preparou junto com o Mate (… não sei escrever seu nome corretamente), um húngaro, sob supervisão deste, um delicioso Goulash, sopa à base de pimentão e carne de boi típica na Hungria. Como explicou o húngaro, Goulash vem de Goula, que quer dizer gado. Pena que a carne de boi estava muito cara eles acabaram comprando carne de porco para o Goulash! Mas mesmo assim estava ótimo.

Mais à noite, por volta de 23h00, fomos até o rio para ver uma queima de fogos em comemoração de algo da comunidade portuguesa. Foi legal, quase meia hora de queima de fogos com música!

Hoje, domingo, levantei tarde, tomei um bom café da manhã e assisti “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”. Esse filme é maravilhoso. Lógico que foi muito melhor da primeira vez que assisti no Brasil, já que estava acompanhado, e muito bem acompanhado. Les émotions d’aujourd’hui ne seraient que la peau morte des émotions d’autrefois.

Fui à Gare às 15h30 ver se dois amigos da Poli tinham chegado e ajudá-los a se orientar. Já estive perdido quando cheguei, e não é legal. Qual não é minha surpresa que não encontro nem o Portillo nem o Anderson, que era quem eu esperava, mas encontro uma amiga da Poli, um ano acima do meu (Ana Laura) que chegou também hoje em Vichy! Eu sabia que ela vinha pra Duplo Diploma também, mas não sabia que chegaria hoje.

Vou denovo à Gare em 19 minutos esperar os dois novamente: o próximo trem vindo de Paris chega às 17h32. 18 agora.

Bom pessoal, por enquanto é isso! Mais notícias à qualquer momento!

Abraços e beijos,
Bruno

Saudade

Saturday, July 21st, 2007

Vamos fazer uma soma. Não precisa estudar engenharia para encontrar o resultado. Na verdade, é até mais fácil analisar esta equação se vc for da área de humanas.

Some: uma soirée ontem em que tocamos músicas brasileiras, lembrando momentos ótimos que tivemos no Brasil (nostalgia) + 7 amigos (estrangeiros) que foram embora hoje para seus países (falta) + um dia feio, chuvoso, sem nada para fazer (tristeza) + quase 1 mês longe do Brasil (tempo). Quanto dá?

Talvez a parcela mais forte seja a partida dos amigos estrangeiros. Na verdade acho que é a que desencadeia essa soma (já que nos lembra o dia em que partimos).

Fazemos uma amizade forte com essas pessoas que estão aqui à nossa volta. Acho que deve ser uma forma de nos protegermos da angústia que temos por estar longe de nossas famílias, de nossos amigos, de nossos amores, em um país estranho com costumes estranhos.

Mas esses laços que criamos, embora fortes, são passageiros. E quando esses amigos partem, sentimos saudade. Uma saudade estranha. Uma saudade que na verdade é saudade de tudo que deixamos no Brasil, e que nos faz lembrar o que acho que muitos de nós pensamos ao entrar no avião para virmos para cá: “meu deus, o que é essa loucura que eu tô fazendo???”.

Diferente desses laços de que falei acima, que são os laços com os estrangeiros, são aqueles com os brasileiros que vieram pra cá. Ainda bem que tem algo que não vai se desfazer. Algo que é importante pra todos nós, para ajudar a suportarmos a dor que às vezes nos pega de surpresa.

Isso tudo me lembra Pedaço de mim.
A saudade é o pior tormento. Mas nos mostra que estamos vivos e que gostamos e que nos sentimos gostados.

Vou comer uma goiabada. Bom mesmo seria o doce de abóbora da vovó.

Até a próxima!
Bruno

A Soirée Internationale

Saturday, July 21st, 2007

Olá!

Nesses últimos dias estive meio incomunicável. Estávamos ocupadíssimos nos preparando para a Soirée Internationale, uma festa do Cavilam na qual cada país pode organizar grupos para fazer apresentações de sua cultura. Pode ser música, dansa, apresentação de slides, comidas e bebidas típicas, n’importe quoi.

O Brasil na Soirée Internationale

O que o Brasil fez: tem professores da Aliança Francesa do Brasil todo aqui no Cavilam, que cantaram (sem acompanhamento algum) o Hino Nacional (obviamente todos os brasileiros cantaram juntos), Aquarela do Brasil.

Quatro brasileiros (alunos, no mesmo programa que estou) amigos nossos fizeram uma apresentação de forró: eram 2 casais que dançaram o Xote da Alegria. Foi um espetáculo!

No intervalo, o Brasil preparou Caipirinha.

O último grupo do Brasil foi o meu. Cantamos Aquarela, Cotidiano e Eu sei que vou te amar.

Tínhamos apenas 1 violão e 5 vozes (com o violonista). Estávamos ensaiando bastante, até que na sexta-feira à tarde, dia da soirée, um francês que passeava por ali parou para nos escutar cantar Eu sei que vou te amar. Ele veio conversar conosco. Era um saxifonista que adorava MPB e juntou-se ao nosso grupo! Não bastando, ele trouxe consigo um percussionista! No final das contas éramos 5 vozes, 1 violão, 1 sax e percussão!

Como na gravação do Vinicius de Eu sei que vou te amar, declamei o Soneto da Fidelidade. Mas um pouco diferente do Vinicius: as duas primeiras estrofes em português, e as duas últimas em francês! Foi bem legal, pena que na hora da apresentação me enrolei em um verso na parte em francês. Mas eu gostei!

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso, e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

Et ainsi, lorsque plus tard me cherchera
Peut-être la mort, angoisse de celui qui vit
Peut-être la solitud, sort de celui qui aime

Je pourrai me dire de l’amour (que j’ai eu):
Qu’il ne soit pas immortel, puisqu’il est flamme
Mais qu’il soit infinit tant qu’il durera.

Acredito que terá um vídeo com essa gravação no Youtube. Quando tiver, eu ponho o link aqui ao lado.

Problemas políticos

Um homem preparou um Powerpoint para mostrar seu país: Kosovo. Acho que era o único que vinha de lá.

Havia na platéia uma mulher vinda da Sérvia.

Pra quê… após a apresentação do cara, subiu a mulher no palco e falou que ele tinha mostrado a Sérvia, já que Kosovo é da Sérvia, e saiu quase batendo os pés no chão.

Subiu denovo o senhor kosovense, que falou sobre a mulher sérvia, que ela deveria esquecer disputas e ver que estão entre amigos.

Não sei como avaliar isso. Só sei que foi interessante ver como essas questões que geram emoções tão desconhecidas nas terras tupiniquins são presentes e fortes por aqui.

Daqui a pouco escrevo outra mensagem.

Abraços e beijos
Bruno

Paris, 14 de julho

Tuesday, July 17th, 2007

Olá!

Fui para Paris sábado, 14 de julho. Chegamos às 10h30, o desfile já tinha começado e vi muito pouco, pois havia MUITA gente por lá.

Fomos para o nosso hotel (super barato, e muito bom!), no caminho encontramos um lugar por onde saíam os tanques e carros do exército, então pudemos ver algo. Deixamos as mochilas e saímos para andar.

Andamos. Andamos muito. Depois dos 2 dias, fiz algumas bolhas nos pés de tanto andar.

No primeiro dia, tomamos um metrô até pouco antes da Île de la Cité (onde fica a Notre Dame) e passamos por diversos cartões postais de paris. Vimos Notre Dame, Pompidou, Louvre, Jardin des Tuileries, La Concorde, Champs-Élysées (o desfile já tinha acabado), Arco do Triunfo. Fomos finalmente para a Torre Eiffel, para nos prepararmos para ver os fogos.

Decepcionante. Ano passado foi MUITO melhor o show. Havia um palco enorme montado no Champ de Mars, que atrapalhava muito a visão, fora que os fogos explodiam muito em baixo e também o som falhava um monte. Mas mesmo assim foi legal. Afinal de contas, 40 minutos de fogos não tem como não ser legal.

No dia seguinte, saímos à pé do hotel, passamos pelo Cemitério de Montparnasse, um cemitério que mostra mais ou menos o ambiente cosmopolita de Paris: há túmulos de todas as religiões uns ao lado dos outros.

Seguimos para o Jardin du Luxembourg. É um jardim maravilhoso. Há pessoas correndo, brincando com barcos à vela (em miniatura), crianças brincando. E as flores são fantásticas. Daria pra ficar o dia inteiro por lá.

Bobeamos e não passamos na Sorbonne, que é ao lado desse jardim.

Fomos então até o Sacré Coeur - uma basílica sobre o Montmartre, o ponto mais alto de Paris. A Basília é maravilhosa. Não era permitido tirar fotos de dentro, e não tirei. Mesmo que tivesse tirado, seria impossível mostrar o que é estar lá dentro. O chato é que havia vendedores extremamente agressivos que vinham com suas tralhas em cima dos turistas; já vinham abordar muito bravos, vinham aos montes, cercando a gente.

Fomos depois para La Défense, o centro financeiro de Paris. Lá há prédios imensos, lindos, e em particular La Grande Arche. Uma construção que lembra uma projeção de um hipercubo, com mais de 100 metros de altura. Subimos pelo elevador panorâmico. Há, no teto, um restaurante e exposições, além de podermos sair até o topo, de onde temos uma vista incrível de Paris. Pode-se ver praticamente todos os monumentos da cidade lá de cima (afinal de contas esse bairro, La Défense, fica fora de Paris). Passamos um bom tempo lá.

Depois fomos novamente ao Louvre, onde ficamos até o último raio de sol (que é bem tarde, por sinal).

No dia seguinte, acordamos mortos de sono, corremos MUITO para não perder o trem - que era às 7h03 …

Não consegui dormir nada durante as 3 horas de viagem, cheguei em Vichy acabado, estava como um zumbi ontem, morto de sono. Depois de ir para a aula e ficar mais cansado ainda, voltei para casa e capotei. Capotei tão capotado que só acordei hoje por volta de 10h30, e perdi a aula. Foi bom, deu pra descansar.

Já coloquei umas 100 fotos no Picasa. Lá todas as fotos estão reduzidas (afinal de contas, cada uma tem pelo menos 3MB aqui no meu computador). Se alguém quiser a versão grande de alguma, é só me pedir!

Mandem notícias!

Abraços e beijos
Bruno

Et voila, des photos!

Friday, July 13th, 2007

Oi gente.

Finalmente, coloquei fotos na Internet!

Tem algumas da cidade e algumas da minha casa.

Amanhã vou para Paris e volto na segunda-feira de manhã. Vou ver os desfiles na Champs Elisées e os fogos à noite, ao redor da Torre Eiffel. Para quem não sabe, amanhã é 14 de julho, dia de uma grande festa nacional na França: a queda da Bastilha. A Bastilha era uma grande prisão que ficava em Paris, e no dia 14 de julho de 1789 o povo invadiu a Bastilha e liberou os presos, o que simboliza o fim da monarquia na França. Nesse dia começa a chamada 1a. república. Mais informações, favor consultar qualquer livro de história, no ítem “Revolução Francesa”.

Todo ano há uma grande comemoração no dia 14 de julho: pela manhã há desfiles na Champs-Elysées e à noite um incrível show de fogos. Cada ano a França faz alguma homenagem. No ano passado a homenagem foi a Mozart, este ano a homenagem é aos países da União Européia. Os países da UE vão enviar partes de seus exércitos para desfilarem também na Champs-Elysées; digo também pois todo ano o exército francês desfila de forma triunfal, com tanques, aviões, caças, bombardeiros…

Espero conseguir tirar muitas fotos. Fotos! Vão vê-las. Há um link na parte direita desta página chamado “Fotos no Picasa!”, que leva diretamente aos álbuns. Lógico que eu coloquei só algumas das mais de 200 fotos que já bati (em dois dias…), mas já dá uma idéia da maravilha que é esta cidade.

Até mais!
Abraços e beijos!
Bruno